Tafelli Ritz Advogados
Direito Tributário · Planejamento tributário

Planejamento tributário: pagar o justo, dentro da lei.

Toda empresa paga imposto. Poucas pagam só o que deveriam. Planejamento tributário é organizar a estrutura e as operações, dentro da lei, para tirar peso do caixa sem criar risco. E, com a Reforma Tributária em transição, a conta de quem não revisar agora vai mudar sem aviso.

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Talita Ritz, advogada tributarista e sócia do Tafelli Ritz Advogados, à frente do planejamento tributário
Quem conduzTalita RitzAdvogada · Sócia · Direito Tributário
01 / O conceito

Planejar não é sonegar

Planejamento tributário é elisão fiscal: reduzir a carga por meios legais, em regra antes do fato gerador. Sonegar é evasão: ocultar ou fraudar depois que o imposto já é devido, e é crime. A linha entre os dois separa economia de autuação.

Elisão · lícito
Organizar a empresa dentro da lei, antes do fato gerador e com propósito real. É o planejamento.
Evasão · crime
Ocultar receita, nota fria, simulação depois que o imposto já é devido. Não é planejamento.
CTN · art. 116, parágrafo únicoA autoridade poderá desconsiderar atos ou negócios praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo.

O STF, na ADI 2446 (2022), confirmou essa regra, mas com um limite decisivo: o Fisco pode desconsiderar o que dissimula o fato gerador, e não pode tributar o planejamento lícito. O direito de se organizar dentro da lei está preservado — desde que a operação tenha propósito negocial real, e não seja artificial só para pagar menos.

02 / O regime

A escolha do regime é a decisão de maior impacto

Simples, Presumido ou Real não é detalhe contábil: é a conta do ano inteiro. E a resposta muda com o faturamento, a margem, a folha e os créditos.

  • Simples Nacional — até R$ 4,8 milhões por ano (com sublimite de R$ 3,6 milhões para ICMS e ISS). Recolhimento unificado. Nem sempre o mais barato: o Fator R pode mudar tudo.
  • Lucro Presumido — até R$ 78 milhões por ano. IRPJ e CSLL sobre uma presunção de lucro. Costuma valer quando a margem real é maior que a presumida.
  • Lucro Real — obrigatório acima de R$ 78 milhões e para alguns setores. Imposto sobre o lucro efetivo; permite aproveitar créditos e compensar prejuízos.
O erro mais comum é repetir o regime do ano anterior. A escolha certa se recalcula todo ano, a cada mudança de faturamento, margem ou atividade — e a Reforma Tributária vai forçar essa conta.
03 / Alavancas

As alavancas legais do planejamento

Planejar bem raramente é uma tacada só. É um conjunto de decisões, cada uma dentro da lei e com propósito.

  • Escolha e revisão do regime — a decisão de maior peso, recalculada periodicamente.
  • Fator R no Simples — planejar a relação folha/faturamento para enquadrar serviços na faixa de menor carga.
  • Aproveitamento de créditos — PIS/Cofins não cumulativos no Lucro Real, ICMS e, à frente, os créditos amplos de IBS/CBS.
  • Incentivos fiscais — Lei do Bem (inovação), SUDENE/SUDAM e outros, para quem se enquadra e dentro do prazo.
  • Reorganização societária e holding — cisão, incorporação e holding patrimonial e sucessória, sempre com substância e propósito reais.
04 / Reforma

Por que a Reforma torna isso urgente

A Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025) troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois tributos — CBS (federal) e IBS (estadual e municipal) — num modelo de IVA. A transição já começou e vai até 2033.

2026
Ano-teste
Alíquotas simbólicas de CBS e IBS; sistemas e notas precisam estar adaptados.
2027
CBS cheia
A CBS entra em alíquota plena e PIS e Cofins são extintos.
2029–2032
Transição do IBS
O IBS sobe e ICMS e ISS caem, ano a ano.
2033
Sistema pleno
ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI deixam de existir.
O que muda para o seu planejamento. O crédito passa a ser amplo ao longo da cadeia, então passa a importar de quem você compra e para quem você vende (B2B e B2C mudam de conta). O split payment retém o imposto no momento do pagamento, mexendo direto no fluxo de caixa. E o Simples ganha uma decisão nova: apurar por fora para dar crédito cheio ao cliente, ou manter o recolhimento unificado. A alíquota de referência ainda está em definição (estimada em torno de 26% a 28%), mas o sentido é claro: quem chega adaptado perde menos.
05 / Segurança

O que torna um planejamento seguro

Economia que não se sustenta perante o Fisco é risco adiado. Quatro princípios mantêm o planejamento de pé se ele for questionado.

01Propósito negocial real

Cada estrutura tem uma razão econômica além da economia de imposto. É o que a torna legítima e afasta a desconsideração pelo Fisco.

02Substância acima da forma

A realidade da operação corresponde ao papel. Holding e reorganização se sustentam quando existem de verdade, com função efetiva.

03Feito no tempo certo

Planejamento é decisão anterior ao fato gerador. Na hora certa, é elisão lícita; a economia se constrói antes, não depois.

04Sempre dentro da lei

A fronteira entre pagar menos e sonegar é a legalidade, e todo o desenho a respeita. É o que separa estratégia de exposição.

06 / Como conduzimos

Como conduzimos

Planejamento sério não é uma tabela pronta. É a sua empresa, olhada de perto.

1

Diagnóstico

Mapeamos regime, operações, margem, folha e créditos — o retrato tributário real da empresa.

2

Simulação de cenários

Comparamos regimes e estruturas possíveis, com a conta na mesa, não no chute.

3

Leitura da Reforma

Projetamos o impacto do IBS e da CBS no seu setor e no seu fluxo de caixa.

4

Desenho com propósito

Estruturamos o que reduz imposto e se sustenta perante o Fisco, com substância real.

5

Implementação e revisão

Acompanhamos e recalculamos a cada mudança de lei, de faturamento ou de operação.

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Dúvidas

Perguntas que sempre aparecem

Planejamento tributário é legal?
Sim. Planejar dentro da lei (elisão) é lícito e legítimo. O que é crime é a evasão: ocultar receita ou fraudar depois que o imposto já é devido. O STF confirmou que o Fisco não pode tributar o planejamento lícito, desde que a operação tenha propósito real.
Qual o melhor regime para a minha empresa?
Depende do faturamento, da margem, da folha e dos créditos. Simples nem sempre é o mais barato; Presumido costuma valer com margem alta; Real, com margens apertadas ou muitos créditos. A resposta se calcula, e se recalcula todo ano.
Quanto dá para economizar?
Não existe percentual fixo, e desconfie de quem promete um. A economia real aparece depois do diagnóstico da empresa. O compromisso honesto é pagar o justo, dentro da lei, sem criar risco.
Minha empresa passou do limite do Simples. E agora?
É hora de migrar para Presumido ou Real, e a escolha entre os dois muda a conta do ano. Fazemos a simulação antes da virada, para não trocar de regime no escuro.
Como a Reforma Tributária vai me afetar?
IBS e CBS mudam a lógica do crédito, o fluxo de caixa (split payment) e, no Simples, criam a decisão do regime híbrido. Decisões de estrutura tomadas agora repercutem por toda a transição, até 2033.
O que é split payment?
É a retenção automática do imposto no momento do pagamento (Pix, cartão, boleto): a empresa recebe o valor já líquido do tributo. Muda o capital de giro e exige replanejar o caixa.
Vale a pena abrir uma holding para reduzir impostos?
Pode fazer sentido para organizar patrimônio, sucessão e participações, com ganhos de eficiência. Mas só se sustenta com propósito e substância reais. Holding montada só para pagar menos é desfeita pelo Fisco.
O Fisco pode desfazer o meu planejamento?
Pode desconsiderar operações artificiais, sem propósito negocial, que apenas dissimulam o fato gerador. Por isso planejamento bem-feito não é só economia: é economia que se sustenta se questionada.
De quanto em quanto tempo devo revisar?
No mínimo uma vez por ano, na virada do exercício, e sempre que houver mudança de faturamento, atividade ou lei. Com a Reforma em transição, a revisão anual deixou de ser opcional.

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